Sobre o blog

Este site não é meu! Sou apenas o que pode ser chamado de "administradora do blog".

Este blog está sendo criado para que eu compartilhe as mensagens deixadas por meu avô: ABÍLIO JARDIM DA SILVA falecido em 18.11.1993 (aos sessenta e oito anos) por causa do enfisema pulmonar devido ao cigarro.



Abílio Jardim da Silva foi médium e colaborador do Centro Espírita Dias da Cruz de Passo Fundo (RS).






Inicialmente criei estas páginas para poder colocar seus pensamentos, orações e mensagens, mas agora sinto a necessidade de reciclá-lo. Quero que este blog reflita o significado que este Ser maravilhoso teve na minha vida e daqui para a frente será muito pessoal, pois só assim creio poder tocar cada coração que vier a ler estes escritos. Ele queria que sua vida fizesse a diferença, que tivesse um propósito e "não fosse em vão". Então não vou permitir que este blog seja APENAS de mensagens soltas. Para que faça a diferença preciso revelá-lo aqui; que este espaço possa conter sua energia, seja uma espécie de extenção do que ele foi.


Assim, abro as portas para que vocês entrem e de alguma forma possam receber este tesouro que ele nos deixou como exemplo que foi. Não um exemplo de perfeição, mas de um Humano Guerreiro em busca da Luz.


Espero que os familiares compreendam e respeitem esta necessidade.


De todo meu coração a neta mais agradecida deste mundo:


Luciana Paula da Silva (Pequena Luz da Floresta).

















quarta-feira, 10 de abril de 2013

SOBRE O AUTOR DAS MENSAGENS


Permitam-me descrevê-lo como "perfeito em sua imperfeição" porque este ser humano nunca tentou esconder seus defeitos. Ao contrário, buscou incessantemente até o último suspiro no Hospital São Vicente de Paula em Passo Fundo (RS) tentar compreender o que havia causado aquela falha sua que ele percebia e por isso sentia a necessidade de superar (compreendendo).
Quem o conheceu mais tarde, isto é, quando já estava trabalhando como médium, não tinha ideia da batalha interior travada para chegar aonde chegou.
Vejam: “aparentemente” eu não tinha razão para ser tão apegada e apaixonada pelo meu avô paterno como desde pequena já demonstrava ser. Só fui compreender todos os porquês quando comecei a estudar mitologia comparada na UPF, vendo, então, o percurso de vida e de desenvolvimento do meu avô como o percurso de todos os heróis que matam seus dragões do medo e limitações para poder avançar rumo ao autodesenvolvimento.
Meu avô não nasceu santo: como todos os que nascem nesse planeta, aliás. Era um típico humano da Era de Peixes com todos os seus sofrimentos e filosofia de sacrifico, remorsos e castigos. Todos os livros e diários que deixou (e que tenho a bênção de guardá-los) contam a história de uma vida sofrida pela dor do abandono paterno numa época em que a sociedade menosprezava famílias separadas e de um filho que sofreu o abandono e a rejeição como prova cármica que forjou seu crescimento dentro deste contexto histórico preconceituoso. Com sua beleza natural, seu charme, carisma, dons de poeta e trovador (ajudou a fundar o CTG Getúlio Vargas em Passo Fundo), fácil foi de estar num meio propício ao álcool e ao tabaco.
Foto tirada durante o Programa C.T.G. Getúlio Vargas Rádio Municipal em 13.7.1972.


Estou compartilhando com vocês esta foto onde estou dando um sermão nele porque estava fumando e eu dizia que queria que ele “morresse bem velhinho” ao invés de me deixar antes do tempo.


Este Ser maravilhoso que foi meu avô nesta vida, verdadeiro presente do Universo, foi um pai de família super-protetor, trabalhador honesto (funcionário público do DAER), um pescador de primeira, um boêmio. Sempre assoviando versos, cantarolando, fazendo rima para tudo, principalmente para a natureza e pelos pais desencarnados. Meu pai e minhas duas tias cresceram tendo-o como um verdadeiro desafio em suas vidas, pois hoje sei que este contexto foi criado por eles antes de nascerem, antes de virem a Terra para esta etapa de desenvolvimento. Eles planejaram este contexto histórico em que viveram para cada um, segundo suas necessidades, aprenderem uns com os outros; e não foi fácil. Conviver com meu avô “nesta altura do campeonato” não era mole, pois ele se decepcionou tanto com as pessoas que passou um bom tempo vendo maldade em tudo e em todos os lugares. O início de sua superação se deu apenas quando eu e meu primo (que temos a mesma idade) nascemos, pois aí ele disse que: ”preciso tomar jeito para dar bons exemplos pros meus netos”. Todas as dificuldades emocionais por que ele passava; toda dor de ter vivido sozinho e ter cuidado da própria mãe e se tornado "o homem da casa" tão cedo o marcou profundamente e penso, por mais triste que isto pareça que foi exatamente pelo sofrimento que sentia que ele se tornou aos poucos, lentamente, tão empático com o sofrimento do mundo, tão humano na forma como passou a olhar as dificuldades de todos com quem entrava em contato.
O seu grau de empatia, respeito pelo próximo, responsabilidade em fazer a diferença na sociedade em que vivia se tornou tão forte que em determinada altura (não sei dizer a data específica) meu avô chegou a penhorar a própria casa, seu único bem, para pagar as dívidas da Cooperativa dos Funcionários do DAER, uma vez que o então governador do estado (Brizola) estava há meses sem pagar os funcionários. Mesmo sendo super-protetor com a família ele viu nas muitas famílias destes funcionários com quem convivia uma verdadeira extensão da sua própria, se sacrificando pelo bem de todos.
Fiquei sabendo deste sacrifício que acabo de contar no enterro dele. Sim, tinha tanta gente... e gente que eu não conhecia. Então ficou claro que a gratidão pelo que ele fez (e este foi apenas um dos seus feitos) estava dentro do coração de cada um dos que foram beneficiados pela sua atitude exemplar  e que eles estavam ali para dar um "último adeus". Ah, como não admirá-lo?..
Continua.                                                                                           

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