Sobre o blog

Este site não é meu! Sou apenas o que pode ser chamado de "administradora do blog".

Este blog está sendo criado para que eu compartilhe as mensagens deixadas por meu avô: ABÍLIO JARDIM DA SILVA falecido em 18.11.1993 (aos sessenta e oito anos) por causa do enfisema pulmonar devido ao cigarro.



Abílio Jardim da Silva foi médium e colaborador do Centro Espírita Dias da Cruz de Passo Fundo (RS).






Inicialmente criei estas páginas para poder colocar seus pensamentos, orações e mensagens, mas agora sinto a necessidade de reciclá-lo. Quero que este blog reflita o significado que este Ser maravilhoso teve na minha vida e daqui para a frente será muito pessoal, pois só assim creio poder tocar cada coração que vier a ler estes escritos. Ele queria que sua vida fizesse a diferença, que tivesse um propósito e "não fosse em vão". Então não vou permitir que este blog seja APENAS de mensagens soltas. Para que faça a diferença preciso revelá-lo aqui; que este espaço possa conter sua energia, seja uma espécie de extenção do que ele foi.


Assim, abro as portas para que vocês entrem e de alguma forma possam receber este tesouro que ele nos deixou como exemplo que foi. Não um exemplo de perfeição, mas de um Humano Guerreiro em busca da Luz.


Espero que os familiares compreendam e respeitem esta necessidade.


De todo meu coração a neta mais agradecida deste mundo:


Luciana Paula da Silva (Pequena Luz da Floresta).

















quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mensagem aos fumantes


Estou, como sabem, reformulando este blog e não vou tirar esta mensagem da ordem em que se encontrava. Por esta razão terei de avançar em nossa história e ir para o dia 11 de novembro de 1993 (sete dias antes de seu "desenlace").
O que vou transcrever aqui está no meu diário de desabafo que criei naquela época para aguentar a angústia do que estava vivenciando ao ver o sofrimento e o "definhamento" de saúde do meu avô.
Difícil reviver tudo isso ao escrever, ao mexer em tantos papéis deixados por ele, em tantas fotos que trazem tantas recordações. Mas esta tarefa creio que eu já havia aceitado antes de nascer, é minha dívida para com ele e ao mesmo tempo uma oportunidade.

DO MEU DIÁRIO - Passo fundo 11.11.1993.

Fui visitar o vovô Abílio na C.T.I. do Hospital São Vicente de Paula (...) hoje ele pediu por mim, queria que me chamassem e minha vó assim o fez.
Entrei no box 5, e ao me ver, olhou-me desesperado mostrando a boca (nas noites anteriores ele foi encubado mais de uma vez). A boca estava horrível, sem pele, horrível!
Então perguntei se não queria água e ele fez que "sim" com a cabeça. O desespero dele não tem explicação. Perguntei se algo doía e ele fez que "não" com a cabeça, olhou-me nos olhos (seus olhos transmitem desespero e pavor ao mesmo tempo em que pedem ajuda, por favor...). Ele só gritava (estava sufocando), não conseguia falar, quando pediu num grito: "Me tira daqui!”. 
Expliquei-lhe que os médicos não deixam, mas que, se melhorasse, sairia dali na mesma semana. Então, com os olhos cheios de lágrima, me perguntou: "-E se eu morrer?".

Não saber o que dizer não poder ajudar é a pior coisa; e a "melhor" para alguém sentir-se COMPLETAMENTE INÚTIL.
Quando o horário de visita terminou, entrei de fininho para vê-lo e lá estava o farol da minha vida, a pessoa que mais amo neste mundo debatendo-se em angústia e sofrimento. Novamente indicou-me sua boca (que estava aberta), ele estava se afogando em pigarros (ISTO É PARA OS FUMANTES); sei que é nojento, mas ninguém pensa nestas e noutras consequências que o cigarro trás. Não tenho palavras para descrever a morte de um fumante.
Olhei ao redor desesperada por ajuda e, ao ver uma enfermeira pedi ajuda. A enfermeira olhou-me e disse que não sabia o que fazer porque estava pisando na C.T.I. pela primeira vez. 
Pode?
Deixam a C.T.I. de um hospital nas mãos de alguém inexperiente e ainda sozinha (uma simples aluna de enfermagem). Como não tinha outro jeito acabei eu mesma colocando a mão com uma gaze dentro da boca do vovô e puxei o pigarro; para ajudar a "enfermeira" deixou-me sozinha porque ficou com náuseas. 
Senti-me um animal estúpido por não saber e não poder ajudar melhor. Como complemento mandou-me embora, o horário de visita havia acabado e me descobriram ali. E se eu não estivesse ali, furando o horário?
Então vim embora, deixando um doente terminal nas mãos de enfermeiras inexperientes.

Bem, abaixo segue a mensagem que ele pediu encarecidamente que fosse divulgada.







Estou chegando agora
Ao Hospital da Cidade
Doutor Mentz me mandou
Por sentir necessidade
De apressar o tratamento
Nessa minha enfermidade

Enfisema pulmonar
Proveniente do cigarro
Morrendo por falta de ar
Peço a Deus me dar amparo
De poder pagar meu erro
Que está custando tão caro

Agora estou consciente
Do mal que arranjei pra mim
Porque além do sofrimento
Que começa e não tem fim
Ficar esperando a morte
Não tem coisa mais ruim

Não estou me lamentando
Nem me queixando da sorte
Mas para aqueles que fumam
Eu qero traçar um norte
Abandonem esse vício
De sofrimento e de morte

Depois do mal praticado
Chorar não tira proveito
Cada um faz o que quer
Eu admito e respeito
Mas alertar aos fumantes
Creio que eu tenha direito

Acredite meu irmão
Nem para o pior inimigo
Eu desejo o sofrimento
Que hoje paira comigo
Podendo dizer consciente
Todo o erro tem castigo

Hoje de olhos abertos
Acompanho meu enterro
E consciente como sou
Não me entrego ao desespero
Errar é humano, porém
Nunca persista no erro

Se conselho fosse bom
Eu o teria como ofício
O que temos que passar
Morte, acidente, hospício
Que venha por outros meios
Não por causa do vício

Quando me aconselharam
Pedindo em insistência
Que eu deixasse de fumar
Que viria a conseqüência
Hoje, além do sofrimento
Ainda dói-me à consciência

Dos leitores destes versos
Se só um deixasse o vício
Sentiria-me compensado
Valeu meu sacrifício
Sabendo que minha vida
Não foi mesmo um desperdício.

ABÍLIO JARDIM DA SILVA.

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