Sobre o blog

Este site não é meu! Sou apenas o que pode ser chamado de "administradora do blog".

Este blog está sendo criado para que eu compartilhe as mensagens deixadas por meu avô: ABÍLIO JARDIM DA SILVA falecido em 18.11.1993 (aos sessenta e oito anos) por causa do enfisema pulmonar devido ao cigarro.



Abílio Jardim da Silva foi médium e colaborador do Centro Espírita Dias da Cruz de Passo Fundo (RS).






Inicialmente criei estas páginas para poder colocar seus pensamentos, orações e mensagens, mas agora sinto a necessidade de reciclá-lo. Quero que este blog reflita o significado que este Ser maravilhoso teve na minha vida e daqui para a frente será muito pessoal, pois só assim creio poder tocar cada coração que vier a ler estes escritos. Ele queria que sua vida fizesse a diferença, que tivesse um propósito e "não fosse em vão". Então não vou permitir que este blog seja APENAS de mensagens soltas. Para que faça a diferença preciso revelá-lo aqui; que este espaço possa conter sua energia, seja uma espécie de extenção do que ele foi.


Assim, abro as portas para que vocês entrem e de alguma forma possam receber este tesouro que ele nos deixou como exemplo que foi. Não um exemplo de perfeição, mas de um Humano Guerreiro em busca da Luz.


Espero que os familiares compreendam e respeitem esta necessidade.


De todo meu coração a neta mais agradecida deste mundo:


Luciana Paula da Silva (Pequena Luz da Floresta).

















terça-feira, 30 de abril de 2013

Como acessar o Portal Interdimensional




Como acessei o Portal Interdimensional

Eu gostaria de continuar contando nossa história seguindo a cronologia dos acontecimentos. Só que meus guias querem que eu fale agora de como acessei o Portal Interdimensional; de como acontece as trocas de guias periodicamente quando começamos o trabalho espiritual e dos desafios e dificuldades de um redirecionamento de vida.
           
            Para falar da “abertura do portal interdimensional” que na verdade é um processo que vai se formando quando nos propomos e nos esforçamos para tal, preciso demarcar duas fazes nesse desenvolvimento que os vejo como dois marcos: 2009 e o final de 2012 com a ajuda da minha avó.

            Em 2009 comecei a “colher os frutos” de um estudo e trabalho que eu vinha realizando há três anos (de 2006 a 2009) com os Centros de Energia e a Energia Kundalini. O trabalho de trazer a consciência destes centros para dentro das minhas vivências diárias com pessoas e situações. Isto é, por três anos (mas eu vinha estudando como colocar este conhecimento em prática ha mais tempo) eu identifiquei os centros de energia que estavam mais ativos dentro das situações diárias e intervinha conscientemente para elevar a frequência de minhas vibrações e consciência enquanto cortava com as influências das pessoas sobre meus centros de energia. Neste processo ficavam claro as lições das situações e as trazidas pelas pessoas e ao mesmo tempo eu elevava as frequências inferiores ao compreender as lições e os interamentos e envolvimentos cármicos que se repetem em padrões (padrões repetitivos de atitudes). 
 Centros de Energia Humanos

Assim como vemos os animais e sabemos que eles reagem de determinada forma porque é de seu instinto; assim também nós humanos somos obvies enquanto nos comportamos segundo os padrões de comportamento e de formas de pensar de quem está preso aos centros de energia num padrão básico de desenvolvimento (como está a maior parte da humanidade). Assim, MUITO resumidamente, quem vive dentro do padrão inferior do primeiro centro vivencia a falta de segurança na abundância; a experiência de não estar em contato com o TODO; enquanto é puxado naturalmente para as necessidades puramente “mundanas” como sexo do tipo “atração física” pura e sobrevivência. O segundo centro na forma básica gera a falta de senso que não permite à pessoa saber qual é o seu papel na sociedade ao mesmo tempo em que o indivíduo não sabe expressar emoções e é super-dependente emocionalmente, carente e vampiro de energia emocional (uma sanguessuga emocional). O terceiro centro na sua forma básica prende o indivíduo em busca do poder pelo poder, principalmente se impondo sobre os mais fracos e aqui é onde encontramos a maior parte dos relacionamentos de hoje onde há guerra de dominância sobre o outro usando o que for preciso para manter o controle: sexo, agressividade, dependência financeira, chantagem emocional, etc. O ser humano só escapa destes padrões e deixa de ser um ANIMAL HUMANO quando começa a desenvolver as formas superiores de CONSCIÊNCIA destes centros enquanto mantém o CENTRO CARDÍACO, que é nosso centro de equilíbrio, desenvolvendo o AMOR INCONDICIONAL praticado para si mesmo e para todos (principalmente “inimigos”, que neste caso, passam a ser vistos como peças de Deus para nosso desenvolvimento). Enquanto isso não acontece o ser humano é tão somente o animal humano muito óbvio, porque segue padrões de melodrama e crises que podem ser previstas porque estão dentro deste modelo em que quase todos vivem há séculos. E são os padrões que não nos deixam quebrar com as atitudes que geram carma.
            Foi um trabalho exaustivo, mas nada mais é como antes deste processo porque libera ilusões, dependência e cria CONSCIÊNCIA. Também fica evidente reconhecer em que padrão as pessoas estão envolvidas.
            Não teria conseguido este feito sem a ajuda e estudo SISTEMÁTICO, DIÁRIO dos livros da Zulma Reyo (especialmente Karma e Sexualidade), de Jung e da Kabala. Não teria conseguido se meus guias não estivessem comigo me tirando do corpo e me levando para outras esferas dentro da Árvore da Vida enquanto me mantinha consciente nestas experiências e me instruíssem onde encontrar as respostas das questões que eles deixavam como pegadas que deveria seguir.
            Compreendam que encontrar respostas dá trabalho, pois precisamos fazer a nossa parte e nada nos é dado “de bandeja” e é por isso que sinto PESAR quando vejo o excesso de passividade em muitas pessoas. Elas não vão muito longe deste jeito porque a preguiça e má vontade as limitam. Devem compreender que não adianta dizerem que querem se curar, que querem evoluir, que querem se desenvolver e ficarem de braços cruzados esperando... Por que acham que as pessoas que estão se iluminando são chamadas de TRABALHADORAS da Luz?
            Muito bem, de 2006 a 2009 tive muito estudo (Jung, Kabala, Alquimia) e muito trabalho prático com os Centros de Energia e Psíquicos dentro das situações e experiências diárias tanto na vida pessoal quanto profissional onde precisava ficar 100% presente identificando as tendências para repetir padrões de atitudes. Nesta vivência ficou claro que somos todos mensageiros enquanto também recebemos mensagens dos “mensageiros em nossas vidas”.

CONTINUA em Mestre Kuthumi meu presente.



Mestre Kuthumi - meu presente


                                


                                 Criando e vivenciando o portal interdimensional

Embora toda a minha vida estivesse me preparando para este momento, para esta fase, só a partir de 2009 é que efetivamente quebrei com os padrões antigos de comportamento e respostas às experiências que me mantinha presa ao carma. Foi um marco porque deixei de estar só em 3D e passei a atuar multidimensionalmente de forma progressiva (ainda estou neste processo).
            Antes de 2009 minha vida inteira foi uma tentativa e erro e busca incessante de “manter o equilíbrio através do caos”. Eu não sabia que tudo antes estava me preparando para a transcendência desta época. Vai ver por isso eu sempre fui uma buscadora, procurando, pesquisando, estudando, porque eu sabia que precisava encontrar algo só não sabia o que. Agora eu sei: meu EU SUPERIOR, minha Sabedoria Eterna, meu registro akashico.

Mestre Kuthumi - meu presente

Pouco antes do meu aniversário em 2009 (agosto) vi com surpresa o meu tão amado guia se afastar. Não compreendi!
            No meio da minha sala numa tarde realizando a Respiração da Órbita Microcósmica vi um lindo Sol Dourado preencher a sala e uma voz dizer: Sou Kuthumi e por algum tempo vamos trabalhar juntos para clarificar o carma do teu grupo. Tu irás ajudá-los quando compreender.” Pensei que fosse sair do corpo, mas Ele me deixou ali e nossa, que vibração! Comecei a chorar, mas eram lágrimas de bênção, alívio e paz.
            Ma quem era Kuthumi? Existia ou alucinei?
            Depois de um tempo sentindo a vibração fui para o PC procurar e fiquei pasma. Mestre Kuthumi? Eu? Mas, como assim, não precisa ser um Super Iluminado para conseguir/merecer isso? Na época eu não senti que tinha merecimento e não compreendi o REAL SIGNIFICADO do trabalho de transmutação alquímica da minha Energia (física, mental, emocional e espiritual).
            Nos meses seguintes realizamos uma série de regressões às vidas passadas que me mostraram as relações e contratos carmicos com meu Grupo Cármino (família), alguns namorados antigos e pessoas que eu mal conheci porque passaram para a estrada azul do espírito quando eu era criança. Mestre Kuthumi com muito carinho e paciência me explicou cada situação, onde eu tinha reagido para criar carma, onde os padrões estavam se repetindo e o que eu precisava trazer conscientemente para aminha dimensão e começar a trabalhar imediatamente.
            Para aqueles que convivem comigo e viram minha mudança de atitude e consequentemente de vida, este foi o motivo. Compreendam que minha certeza inabalável no que eu estava fazendo e do jeito que estava fazendo é que EU NÃO ESTAVA SÓ (assim como não estou agora, não sou apenas “euzinha” escrevendo neste momento).

CONTINUA com o texto: Desafios Espirituais – a despedida do Mestre Kuthumi

           


Desafios Espirituais - a despedida do Mestre Kuthumi






Existe todo um padrão que se quebra e todo um novo modo de ser, pensar, sentir e atuar que se vai aprendendo conforme se aprende também a ouvir DIRETAMENTE os guias ao invés de seguir os mapas já conhecidos até então: tarô, astrologia, numerologia, etc. Isto aconteceu comigo.
Em 2009 quando comecei o trabalho interdimensional com o Mestre Kuthumi o primeiro pedido foi para que eu aprendesse a senti-Lo e ouvi-Lo ao invés de ficar recorrendo viciadamente ao tarô. Ao recorrer ao tarô e ao I ching eu como que reforçava minha dificuldade de me manter conectada com o Plano Espiritual. Eu voltava a pensar linearmente, reforçando outro padrão antigo de comportamento que é típico de quem está iniciando um despertar espiritual, mas que chega um determinado ponto é FUNDAMENTAL ser transcendido se quiser desenvolver a intuição e comunicação com outros planos e dimensões. É necessário compreender que vivi uma vida sendo guiada por estes métodos e de repente vem o pedido para deixá-los de usar porque iriam atrapalhar, pois, de fato, muitas vezes, no começo, usei-os como que para confirmar os resultados do que estava fazendo. Só que ao agir assim, primeiro eu demonstrava falta de fé no meu guia e mais tarde em Mestre Kuthumi e; segundo, exigia resultados, os meus resultados segundo o meu ponto de vista humano, limitado e tridimensional. Então:
No início não foi fácil: No primeiro ano (2009) eu não consegui; no segundo ano (2010) eu passei a pedir mensagens (não fazia mais perguntas específicas) do que eu precisava aprender e que energia desenvolver; foi somente no terceiro ano (2011) que, finalmente, ”completei a conexão para cima”, “minha antena desentortou” e hoje não uso mais o tarô ou qualquer outro método divinatório para mim. Não preciso, pois agora recebo a informação que necessito pouco antes de precisar e trabalho fora do corpo sem esforço e também mantenho o fluxo do EU SUPERIOR sem interrupção. Confesso que há dias que trabalho mais em outras dimensões do que na 3D, quando tenho acesso as dificuldades das vidas de pacientes que estão para chegar (que vou conhecer) e o que preciso fazer por eles; pois tenho uma dívida para com eles, por assim dizer. Isto é, me propus a ajudá-los antes de conhecê-los e preciso cumprir com o que foi planejado no plano espiritual.
            Por que querem que eu revele isto agora, interrompendo o que estava fazendo ao contar minha história cronologicamente? Porque tem pessoas que lerão esta mensagem em específico que não estão reconhecendo o potencial de algumas situações que têm a frente; ou não estão reconhecendo as mensagens que estão tentando serem passadas para elas.

Desafios Espirituais – a despedida do Mestre Kuthumi

            Reconhecer parentes próximos como antigos inimigos e responsáveis pela tua própria morte e/ou responsáveis por cicatrizes de medo que trazemos para a atual vida é um desafio. E ao mesmo tempo é incrível porque “tudo fica explicado e claro”, toda a desconfiança, falta de afinidades, dificuldades de entendimento; finalmente se sabe como e porque se deve superar e fica mais fácil. Perdão, transmutação, rompimento de amarras e uma nova fase.
            Em meio a todas estas vivências interdimensionais eu fui alertada para o fato de ser necessária uma mudança radical e profunda em minha vida atual. Fui alertada que as coisas iriam acontecer de uma forma que eu não iria gostar e não iria compreender e Mestre Kuthumi me pediu: “Paciência e confiança, mais tarde tu irás compreender.”
            Como isso se deu na minha vida da 3D? Fiquei sem casa e tive que morar com meu grupo cármico: seria o grande teste e oportunidade de romper definitivamente com todas as pendências antigas, pois não adianta só saber intelectualmente é preciso agir na prática para “tornar intrínseco e impresso no próprio registro akashico”. Meus projetos profissionais foram “por água abaixo” e Mestre Kuthumi também me alertou que eu iria “sair do Caminho que estava trilhando para mais tarde retornar a ele renovada e com um sucesso que eu não esperava. Mas que eu não seria mais a mesma quando isso acontecesse.”
De fato na época não compreendi, apenas aceitei e confiei (e procurei não ouvir os desaforos e as críticas do grupo cármico que não tinham idéia do que estava acontecendo, pois para eles eu estava no “fundo do poço” e eles não sabiam das minhas experiências interdimensionais). Eu até estava indo bem no meio de tanta reviravolta, mas aí Mestre Kuthumi cumpriu com sua missão comigo e dali para frente o trabalho de clarificação estava em minhas mãos e assim ele partiu. Eis o REAL DESAFIO, continuar sem o apoio desta Energia tão Poderosa como uma humana no meio de um turbilhão. Fiquei meses sem este apoio espiritual e só no final de 2011 com minha nova amiga de Caminhada (Ester Hellmann Lauterbach.) me apresentando Kryon é que eu iria compreender o que se passou aqui nesta fase em 2009. (Mas isto é para ser contando em outro texto).
Sentindo que podia entrar em depressão, pedi ajuda e então minha tia Marlene Cafruni (outra bênção e mensageira no Caminho) me trouxe livros para eu “não cair”. Aí conheci o Xamanismo (especialmente o Livro – Dançando o Sonho os sete caminhos sagrados da transformação humana de Jamie Sams Ed. Rocco) e só aí compreendi “o que eu era quando criança”: uma alma xamã antiga reencarnando no meio da cidade num corpo branco para trazer de volta a antiga forma natural do Povo; uma xamã sonhadora natural (pois recebia e recebo mensagens em sonho até hoje).
Uma última mensagem do Mestre Kuthumi: tive uma visão ode eu TOCAVA as pessoas para equilibrá-las e CURÁ-LAS. Pesquisando, seguindo as pegadas que Ele deixou encontrei a Escola Shantala e o Curso de M.T.C. Mas era caro e muito demorado (longo, três anos e meio) e eu estava sem casa e sem dinheiro. Conhecendo pessoalmente a Escola eu reconheci a Energia da Professora Glória e me entreguei ao processo de aprender a Massagem através deles. Fiz a inscrição com dinheiro emprestado e coloquei a situação nas mãos dos guias (que no momento ainda não haviam chegado) e não me preocupei mais com o assunto. Disse que se aquele era realmente o meu caminho ei iria me formar.
As coisas começaram a mudar durante o curso em 2010, recebi meus novos guias e tive dinheiro para me formar e já iniciar o Curso que era o meu verdadeiro sonho M.T.C., que reconheci em sonho com meus “gigantes chineses da antiguidade”.
O que quero dizer quando afirmo que “as coisas começaram a andar”?
Quero dizer que não conseguia mais pensar de forma tridimensional e linear. Eu via as situações na minha frente, mas entendia como um ser ETERNO dentro do ETERNO AGORA e compreendia porque cada situação e porque cada pessoa e a mensagem que trazia. E conforme entendia e dava meus passos seguindo minha intuição e percepção os resultados iam dando a prova que eu finalmente ESTAVA CONECTADA.

CONTINUA.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

SOBRE O AUTOR DAS MENSAGENS


Permitam-me descrevê-lo como "perfeito em sua imperfeição" porque este ser humano nunca tentou esconder seus defeitos. Ao contrário, buscou incessantemente até o último suspiro no Hospital São Vicente de Paula em Passo Fundo (RS) tentar compreender o que havia causado aquela falha sua que ele percebia e por isso sentia a necessidade de superar (compreendendo).
Quem o conheceu mais tarde, isto é, quando já estava trabalhando como médium, não tinha ideia da batalha interior travada para chegar aonde chegou.
Vejam: “aparentemente” eu não tinha razão para ser tão apegada e apaixonada pelo meu avô paterno como desde pequena já demonstrava ser. Só fui compreender todos os porquês quando comecei a estudar mitologia comparada na UPF, vendo, então, o percurso de vida e de desenvolvimento do meu avô como o percurso de todos os heróis que matam seus dragões do medo e limitações para poder avançar rumo ao autodesenvolvimento.
Meu avô não nasceu santo: como todos os que nascem nesse planeta, aliás. Era um típico humano da Era de Peixes com todos os seus sofrimentos e filosofia de sacrifico, remorsos e castigos. Todos os livros e diários que deixou (e que tenho a bênção de guardá-los) contam a história de uma vida sofrida pela dor do abandono paterno numa época em que a sociedade menosprezava famílias separadas e de um filho que sofreu o abandono e a rejeição como prova cármica que forjou seu crescimento dentro deste contexto histórico preconceituoso. Com sua beleza natural, seu charme, carisma, dons de poeta e trovador (ajudou a fundar o CTG Getúlio Vargas em Passo Fundo), fácil foi de estar num meio propício ao álcool e ao tabaco.
Foto tirada durante o Programa C.T.G. Getúlio Vargas Rádio Municipal em 13.7.1972.


Estou compartilhando com vocês esta foto onde estou dando um sermão nele porque estava fumando e eu dizia que queria que ele “morresse bem velhinho” ao invés de me deixar antes do tempo.


Este Ser maravilhoso que foi meu avô nesta vida, verdadeiro presente do Universo, foi um pai de família super-protetor, trabalhador honesto (funcionário público do DAER), um pescador de primeira, um boêmio. Sempre assoviando versos, cantarolando, fazendo rima para tudo, principalmente para a natureza e pelos pais desencarnados. Meu pai e minhas duas tias cresceram tendo-o como um verdadeiro desafio em suas vidas, pois hoje sei que este contexto foi criado por eles antes de nascerem, antes de virem a Terra para esta etapa de desenvolvimento. Eles planejaram este contexto histórico em que viveram para cada um, segundo suas necessidades, aprenderem uns com os outros; e não foi fácil. Conviver com meu avô “nesta altura do campeonato” não era mole, pois ele se decepcionou tanto com as pessoas que passou um bom tempo vendo maldade em tudo e em todos os lugares. O início de sua superação se deu apenas quando eu e meu primo (que temos a mesma idade) nascemos, pois aí ele disse que: ”preciso tomar jeito para dar bons exemplos pros meus netos”. Todas as dificuldades emocionais por que ele passava; toda dor de ter vivido sozinho e ter cuidado da própria mãe e se tornado "o homem da casa" tão cedo o marcou profundamente e penso, por mais triste que isto pareça que foi exatamente pelo sofrimento que sentia que ele se tornou aos poucos, lentamente, tão empático com o sofrimento do mundo, tão humano na forma como passou a olhar as dificuldades de todos com quem entrava em contato.
O seu grau de empatia, respeito pelo próximo, responsabilidade em fazer a diferença na sociedade em que vivia se tornou tão forte que em determinada altura (não sei dizer a data específica) meu avô chegou a penhorar a própria casa, seu único bem, para pagar as dívidas da Cooperativa dos Funcionários do DAER, uma vez que o então governador do estado (Brizola) estava há meses sem pagar os funcionários. Mesmo sendo super-protetor com a família ele viu nas muitas famílias destes funcionários com quem convivia uma verdadeira extensão da sua própria, se sacrificando pelo bem de todos.
Fiquei sabendo deste sacrifício que acabo de contar no enterro dele. Sim, tinha tanta gente... e gente que eu não conhecia. Então ficou claro que a gratidão pelo que ele fez (e este foi apenas um dos seus feitos) estava dentro do coração de cada um dos que foram beneficiados pela sua atitude exemplar  e que eles estavam ali para dar um "último adeus". Ah, como não admirá-lo?..
Continua.                                                                                           

quarta-feira, 11 de abril de 2012

O INÍCIO DA ADMIRAÇÃO


Não sei dizer QUANDO começou minha admiração pelo meu avô. Talvez nas conversas que tínhamos no caminho para o Jardim de Infância ao me levar a Escola Menino Jesus (Passo Fundo) e perceber minha insegurança no meio de tanta gente; afinal, silêncio é algo que necessito desde que me conheço por gente. Desde esta época eu já tinha sonhos intrigantes, que me faziam pensar e outros estremecer e ele queria me ajudar a entender como alguém tão pequena podia estar em tamanha encrenca onírica. E, enquanto tentava solucionar os enigmas das mensagens que eu recebia, muitas vezes através de meus pesadelos, minha diligente avó paterna e sua esposa – Florinda Brigo da Silva, falecida em 15.12.2012 – levava suas roupas de forma discreta, para benzer no Centro Espírita Dias da Cruz. Sim, mesmo centro aonde, mais tarde, ele viria a trabalhar.
E minha avó tanto orou, tanto benzeu suas roupas e tanta água fluidificada levou para ele que, enfim, começou a surtir efeito. Ele começou a se encontrar, a se distanciar da bebida e a pensar no quanto o cigarro lhe custaria, ainda que não tivesse forças suficientes para deixá-lo. Também começou a ir pessoalmente ao Centro Espírita para ouvir o Evangelho Kardecista, tomar passes, receber os trabalhos e ler os livros que comprava na biblioteca local. Assim ele foi se encaixando, apaziguando sua dor, compondo os primeiros versos que não falavam apenas nos fandangos, na música gaúcha que pretendia preservar, nas cavalgada acampamentos e pescarias... Seus versos começavam a espelhar o início de sua cura!
Esta homenagem ao padre Zanatta data de 1973 (eu tinha dois anos de idade).

SENHORA CONSOLADORA
Esses versos que eu canto
Do fundo d'alma eu tirei
Para oferecer a Santa
Que jamis esquecerei
Senhora Consoladora
Me ajudai e protegei
Padroeira de Ibiaçá
Ouça a voz de nosso peito
Ajoelhamos a teus pés
Com amor e com respeito
Queremos te agradecer
Todo o bem que nos tem feito
Senhora Consoladora
Padroeira deste torrão
Eu quero depositar
A teus pés, meu coração
Pedindo aos homens terrenos
Tua Santa proteção
E aqui se despede agora
Cantando o trio sertanejo
E para o padre Zanatta
Aproveitando o ensejo
Que esta Sante lhe abençoe
É todo o nosso desejo.

Verso de Abílio Jardim da Silva.

Acompanhando o seu progresso e transformação nossas conversas foram se tornando mais profundas. Ao mesmo tempo mudei de escola, pois não me encaixava naquela. Fui para a escola que mais gostei e mais me marcou (Jerônimo Coelho) onde, nos primeiros dias de aula uma colega morreu atropelada. O chinelinho dela caiu do pé enquanto atravessa a avenida e o ônibus passou por cima dela encerrando seu caminhar aqui.
Foi nesta fase que meus sonhos se tornaram ainda mais nítido e eu podia ouvir os pensamentos das pessoas, como já mencionei na mensagem “um pouco de minha história”.
Estes acontecimentos marcaram meu ingresso para as aulas de evangelização do Centro Espírita Dias da Cruz enquanto meus avós (Abílio e Florinda) estavam no “desenvolvimento”. Fiquei dos sete (7) aos quatorzes anos (14) lá dentro e também comecei a ler os livros espíritas e a ouvir os debates das outras turmas (naquela época não era tão rígido como hoje).  Graças as nossas muitas conversas, as aulas de evangelização e aos Evangelhos no Lar eu consegui perceber o encanto da vida e sua importância ao mesmo tempo em que adquiri um senso de respeito por todos os tipos de indivíduos que conhecia.
Para testar meu conhecimento e se certificar que não era apenas “acadêmico/intelectual” a Vida em Sua Infinita Inteligência me enviou, de passagem, uma nova amiga. Esta amiga ninguém queria ou aceitava de bom grado, pois estava careca devido ao câncer em estado avançado (leucemia). Ana foi passar as férias na casa da tia (minha vizinha) e eu era a única criança que brincava normalmente com ela, pois as outras crianças ficavam com medo de se contagiar “pegar a doença dela” como diziam. Sentindo a brevidade do tempo que passaria com ela, um dia, inocentemente lhe pergunte se não tinha medo de morrer (ela se cansava muito fácil enquanto brincava), ao que ela respondeu: “não tenho medo de morrer porque sei que Deus está me esperando e que vou parar de sofrer e porque Deus ME PROMETEU cuidar dos meus pais”. Bem, lembro disso e do seu rostinho como se fosse ontem.

 CONTINUA

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

PRECE DE CARITAS

Coloco aqui a prece que eles mais gostavam (Abílio e Florinda)

Deus, nosso Pai, que sois todo poder e bondade, daí a força àquele que passa pela provação, daí a luz àquele que procura a verdade, ponha no coração do homem a compaixão e a caridade.
Deus! Daí ao viajor a estrela guia, ao aflito a consolação, ao doente repouso.
Pai! Daí ao culpado o arrependimento, ao espírito a verdade, à criança o guia, ao órfão o pai.
Senhor! Que vossa bondade se estenda sobre tudo o que criaste. Piedade, Senhor, para aqueles que vos não conhecem, esperança para aqueles que sofrem. Que vossa bondade permita aos Espíritos consoladores derramarem por toda parte a paz, a esperança e a fé.
Deus! Um raio, uma faísca do vosso amor pode abrasar a terra; deixai-nos beber nas fontes dessa bondade fecunda e infinita, e todas as lágrimas secarão, todas as dores se acalmarão. Um só coração, um só pensamento subirá até Vós, como um grito de reconhecimento e de amor. Como Moisés sobre a montanha, nós vos esperamos com os braços abertos. Oh Bondade! Oh Beleza! Oh Perfeição! E queremos de alguma sorte merecer vossa misericórdia.
Deus! Dai-nos a força de ajudar o progresso, a fim de subirmos até Vós; dai-nos a caridade pura; dai-nos a fé e a razão; dai-nos a simplicidade que fará das nossas almas o espelho onde se deve refletir vossa imagem.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Mensagem aos fumantes


Estou, como sabem, reformulando este blog e não vou tirar esta mensagem da ordem em que se encontrava. Por esta razão terei de avançar em nossa história e ir para o dia 11 de novembro de 1993 (sete dias antes de seu "desenlace").
O que vou transcrever aqui está no meu diário de desabafo que criei naquela época para aguentar a angústia do que estava vivenciando ao ver o sofrimento e o "definhamento" de saúde do meu avô.
Difícil reviver tudo isso ao escrever, ao mexer em tantos papéis deixados por ele, em tantas fotos que trazem tantas recordações. Mas esta tarefa creio que eu já havia aceitado antes de nascer, é minha dívida para com ele e ao mesmo tempo uma oportunidade.

DO MEU DIÁRIO - Passo fundo 11.11.1993.

Fui visitar o vovô Abílio na C.T.I. do Hospital São Vicente de Paula (...) hoje ele pediu por mim, queria que me chamassem e minha vó assim o fez.
Entrei no box 5, e ao me ver, olhou-me desesperado mostrando a boca (nas noites anteriores ele foi encubado mais de uma vez). A boca estava horrível, sem pele, horrível!
Então perguntei se não queria água e ele fez que "sim" com a cabeça. O desespero dele não tem explicação. Perguntei se algo doía e ele fez que "não" com a cabeça, olhou-me nos olhos (seus olhos transmitem desespero e pavor ao mesmo tempo em que pedem ajuda, por favor...). Ele só gritava (estava sufocando), não conseguia falar, quando pediu num grito: "Me tira daqui!”. 
Expliquei-lhe que os médicos não deixam, mas que, se melhorasse, sairia dali na mesma semana. Então, com os olhos cheios de lágrima, me perguntou: "-E se eu morrer?".

Não saber o que dizer não poder ajudar é a pior coisa; e a "melhor" para alguém sentir-se COMPLETAMENTE INÚTIL.
Quando o horário de visita terminou, entrei de fininho para vê-lo e lá estava o farol da minha vida, a pessoa que mais amo neste mundo debatendo-se em angústia e sofrimento. Novamente indicou-me sua boca (que estava aberta), ele estava se afogando em pigarros (ISTO É PARA OS FUMANTES); sei que é nojento, mas ninguém pensa nestas e noutras consequências que o cigarro trás. Não tenho palavras para descrever a morte de um fumante.
Olhei ao redor desesperada por ajuda e, ao ver uma enfermeira pedi ajuda. A enfermeira olhou-me e disse que não sabia o que fazer porque estava pisando na C.T.I. pela primeira vez. 
Pode?
Deixam a C.T.I. de um hospital nas mãos de alguém inexperiente e ainda sozinha (uma simples aluna de enfermagem). Como não tinha outro jeito acabei eu mesma colocando a mão com uma gaze dentro da boca do vovô e puxei o pigarro; para ajudar a "enfermeira" deixou-me sozinha porque ficou com náuseas. 
Senti-me um animal estúpido por não saber e não poder ajudar melhor. Como complemento mandou-me embora, o horário de visita havia acabado e me descobriram ali. E se eu não estivesse ali, furando o horário?
Então vim embora, deixando um doente terminal nas mãos de enfermeiras inexperientes.

Bem, abaixo segue a mensagem que ele pediu encarecidamente que fosse divulgada.







Estou chegando agora
Ao Hospital da Cidade
Doutor Mentz me mandou
Por sentir necessidade
De apressar o tratamento
Nessa minha enfermidade

Enfisema pulmonar
Proveniente do cigarro
Morrendo por falta de ar
Peço a Deus me dar amparo
De poder pagar meu erro
Que está custando tão caro

Agora estou consciente
Do mal que arranjei pra mim
Porque além do sofrimento
Que começa e não tem fim
Ficar esperando a morte
Não tem coisa mais ruim

Não estou me lamentando
Nem me queixando da sorte
Mas para aqueles que fumam
Eu qero traçar um norte
Abandonem esse vício
De sofrimento e de morte

Depois do mal praticado
Chorar não tira proveito
Cada um faz o que quer
Eu admito e respeito
Mas alertar aos fumantes
Creio que eu tenha direito

Acredite meu irmão
Nem para o pior inimigo
Eu desejo o sofrimento
Que hoje paira comigo
Podendo dizer consciente
Todo o erro tem castigo

Hoje de olhos abertos
Acompanho meu enterro
E consciente como sou
Não me entrego ao desespero
Errar é humano, porém
Nunca persista no erro

Se conselho fosse bom
Eu o teria como ofício
O que temos que passar
Morte, acidente, hospício
Que venha por outros meios
Não por causa do vício

Quando me aconselharam
Pedindo em insistência
Que eu deixasse de fumar
Que viria a conseqüência
Hoje, além do sofrimento
Ainda dói-me à consciência

Dos leitores destes versos
Se só um deixasse o vício
Sentiria-me compensado
Valeu meu sacrifício
Sabendo que minha vida
Não foi mesmo um desperdício.

ABÍLIO JARDIM DA SILVA.